maio 09, 2009

Das mães e dos dias (melhores que virão)...

Sou (quase) obrigada todos os dias a questionar o papel que cada pessoa está desempenhando nesse mundo e tento sempre fazê-lo com um olhar que pretendo que seja (cada dia mais) humano.
Mas tem sido humanamente impossível não questionar a educação, e mais ainda como ela tem sido ministrada desde que nasce uma criança nesse mundo globalizado, atribulado e atualmente, sem limite algum.
Dessa forma, debato-me cada vez mais com a função que um ser especialíssimo tem em tudo isso: a mãe!
Mães sempre foram exigidas demais, sei disso, e exerceram (e continuarão precisando exercer) um papel imprescindível; o de educar, com todo ônus que isso significa.
Quando digo ônus estou falando dos riscos que quem educa corre, de errar tentando acertar, e de mostrar que o amor é um sentimento nobre mas o respeito é fundamental!
Amar é arriscar-se a perder o amor! E é esse exercício penoso que a educação pede (pediu) desde o principio às mães (e pais).
Lembro-me de minha infância e de meus debates quase mortais com minha mãe que insistia em dizer (mostrar) que eu era um ser social e não animal como eu teimava (tentar) ser, algumas vezes. E que existem sim regras e leis e que elas têm que ser obedecidas.
Hoje vejo crianças, vivenciando exatamente o contrário disso, podendo ser animais, a todo momento, sem que que isso seja questionado ou possa ser impedido!
A realidade mudou,o papel da mulher na educação dos filhos no entanto não! Mulheres antes dedicadas apenas a arrumação da casa e criação dos filhos estão hoje num mercado de trabalho competitivo e desumano. Claro que isso foi um avanço, nem ousaria dizer o contrário, mas teve consequencias, com as quais teremos que aprender lidar!
Estressada, com problemas de saúde antes unicamente masculinos,culpada em grande parte por (ter que) deixar os filhos em casa (ou outro lugar qualquer), a mulher-mãe, pelo que vejo, abriu mão da educação de seus filhos e delegou isso a não se sabe ao certo quem, já que ninguém mais pode fazer isso por ela!
A escola, por um tempo tentou, em vão, pois o que a criança faz é repetir na escola e na vida o que experimenta em casa, reproduz exatamente o que aprende, (ou deixa de aprender) na sua relação com os pais (educadores) com os quais convive cada vez menos.

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Mas isso não é o problema, repetidas vezes se diz que não é a quantidade e sim a qualidade que está em jogo em qualquer relação, e é verdade!
A qualidade dessa relação é que necessita ser (re)avaliada, (re)pensada, (re)aprendida! Vira e mexe, em reuniões que participo, fala-se de escolas para pais, (mães principalmente), e sinto uma pena enorme das crianças quando sou obrigada a concordar!
Mas é o que nos resta fazer, para pelo menos tentar diminuir os efeitos que a falta dessa educação provoca na sociedade quando essa criança cresce e aplica o que deixou de aprender.
O presente do Dia das Mães que gostaria de ganhar, certamente seria esse, que o não que educa, (e que não é mais dito), se sobrepusesse ao tudo pode,(frequente e muitas vezes convenientemente consagrado), que posteriormente poderá transformar crianças em verdadeiros delinquentes, como os que estamos cansados de ver na mídia todos os dias.
A responsabilidade que nos pesa é grande, mas ser mãe não é parir apenas, e sim criar e educar filhos, já dizia minha avó (ser iluminado que foi colocado na minha vida e dela nunca saiu!).
Nesse sentido, e com imenso pesar, vejo pouco a comemorar nesses Dias das Mães que temos vivido nos últimos tempos.
Dias melhores virão...

2 comentários:

Sueli disse...

Méinha almada!
Impecável, o que escreveste. Eu cheguei a sentir isso, como mãe , e Professora.
Como mãe, deixei de dar aulas, para ficar com filha pequena .
Como professora, a total falta de limites dos alunos ...'apoiados' pelos pais 'carentes' trabalhadores necessitados.
Realmente, o 'animal' está se sobrepondo ao 'racional' gradualmente.Como ficará? Não sei.
Um desafio constante para as gerações futuras.
ADOREI!

Méinh@ disse...

Su... almada!
Sua presença aqui sempre me alegra e me ensina muito também!
Está sim difícílimo lidar com esse problema, e muitos outros virão, se este não se resolver...
Isso é fato e me deparo com ele todos os dias. Um sofrimento grande envolvendo todos (mães, pais, filhos, professores.
E penso principalmente que pais serão esses filhos e me assusto com o que me vem a cabeça!
Que bom que vivenciou os dois lados e pode dar seu depoimento.
Amei! =)