O Teatro Mágico - Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou
Composição: Fernando Anitelli
Eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito
criando conceito pra tudo que restou?
Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!
Mas eu não sei na verdade quem eu sou!
Já tentei calcular o meu valor.
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou!
Perceber da onde veio a vida,
por onde entrei deve haver uma saída,
mas tudo fica sustentado pela fé!
Na verdade ninguém sabe o que é!
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo!
Com água e farinha eu colo figurinha e foto em documento!
Escola é onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração!
Eu não sei na verdade quem eu sou...
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou!
Eu não sei na verdade quem eu sou!
Descobri que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentido ausência!
Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que eu guardo dentro do meu travesseiro!
novembro 28, 2007
Com a Palavra...
Valéria (16 anos), uma adolescente da cidade de Manari - Sertão de Pernambuco- ( uma das mais pobres do País)
...aqui a gente, na maioria das vezes, num tem nem chance de sonhar...
"Minha terra por ventura, merece tal descrição,
lá a vida é menos dura, qualquer um lhe estende a mão.
O céu é menos cinzento, lá não tem poluição,
Só existe um argumento que me parte o coração
ver o povo madrugar, e seguir para o roçado.
Mas se a chuva não chegar, perde o que se for plantado.
Eu agora exilada, só me resta descrever
Aqui não encontro nada, que motive a viver
Mas falar da minha terra;
Ah isso me dá prazer,
E mesmo aqui tão distante, tenho algo pra pedir,
Quero agora, nesse instante
Voltar para Manari
Pois eu não quero morrer
Sem de lá me despedir."
"Eu poderia ser uma adolescente normal, se não tivesse uma família formada por onze pessoas.
Eu deveria ter sido uma criança normal, se não fosse as responsabilidades que eu cumpria.
Eu deveria gostar do que faço, se não fosse obrigada a fazer.
Eu deveria frequentar ambientes de lazer, se não tivesse que trabalhar.
Eu deveria reclamar quando dizem algo que não gosto.
Se não tivesse inspiração para descrever cada situação.
Eu poderia reivindicar, quando sou julgada injustamente, mas calo-me e a humildade prevalece.
Eu deveria ter uma péssima impressão da vida, se não fosse a paixão que tenho pela arte de viver."
Ouvi (vi, senti) essas palavras do primeiro texto acima no filme Pro Dia Nascer Feliz, de João Jardim, reproduzo aqui por ter me feito pensar em como deve ter sido difícil para essa garota, apesar de toda restrição, elaborar e escrever este poema fazendo uma intertextualidade, baseada no poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias.
Veja o Trailler do Filme.
novembro 21, 2007
As Janelas
"Quem olha de fora por uma janela aberta nunca vê tanta coisa quanto quem olha por uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante que uma janela iluminada por uma candeia.O que se pode ver ao sol é sempre menos interessante do que aquilo que se passa por detrás de uma vidraça.
Nesse buraco negro ou luminoso, a vida vive, a vida sonha, a vida sofre."
(Fragmento de texto de Baudelaire,
C. O Spleen de Paris- pequenos poemas em prosa)
Foto: Variação da Janela na parede de entrada do Parque dos Poetas em Oeiras, encontrada originalmente aqui
O olhar é o espelho da alma, e tendo aprendido a enxergar através dos buracos, (negros ou luminosos), das janelas que se nos apresentam, em muitos momentos quase nos impedindo de ver, é que poderemos conseguir caminhar pelas estradas que nos levarão (ou não) a outras mais distantes e/ou belas, onde se vive, sonha, sofre, enfim, onde se pode ser efetivamente!! (Não sem alguma dor, naturalmente..) É o que acho... e você o que pensa... disso?
A Corrente
"...Estaria na verdade lutando contra a sua própria vontade intensa de aproximar-se do impossivel de um outro ser humano?"
A imagem ao lado é de um bilhete, carta, algo assim, que há muito não via nem tinha conhecimento que existia ainda, em pleno século XXI.
Quado era criança, era muito comum essas correntes, em nome de santos, que chegavam às enxurradas, de todos os lados, e eram jogadas nas áreas, quintais, ou simplesmente colocadas embaixo da porta.
Pois bem, soube hoje que ainda existe, encontrei-a na caixa de correio, juntamente com boletos, contas a pagar, extratos bancários, etc.
Contém muitos erros de português, e como sempre ameaças de que se a tal corrente for quebrada, coisas terríveis acontecerão (comigo). Minha primeira reação foi amassar, e jogar no lixo... Mas...
Pensando aqui; o que teria levado alguém, nos dias de hoje, a repetir esse gesto de escrever tantas cartas e distribuir por aí, a espera de um milagre? Incompreensível?...Talvez...
Mas se o milagre da alfabetização solidária tivesse já ocorrido bem como a tão desejada distribuição igualitária de renda se efetivado, tal figura (criatura) e tal objeto (acorrentado) não teriam mais razão de existir.
Beijos meus pra ti !
Quado era criança, era muito comum essas correntes, em nome de santos, que chegavam às enxurradas, de todos os lados, e eram jogadas nas áreas, quintais, ou simplesmente colocadas embaixo da porta.
Pois bem, soube hoje que ainda existe, encontrei-a na caixa de correio, juntamente com boletos, contas a pagar, extratos bancários, etc.
Contém muitos erros de português, e como sempre ameaças de que se a tal corrente for quebrada, coisas terríveis acontecerão (comigo). Minha primeira reação foi amassar, e jogar no lixo... Mas...
Pensando aqui; o que teria levado alguém, nos dias de hoje, a repetir esse gesto de escrever tantas cartas e distribuir por aí, a espera de um milagre? Incompreensível?...Talvez...
Mas se o milagre da alfabetização solidária tivesse já ocorrido bem como a tão desejada distribuição igualitária de renda se efetivado, tal figura (criatura) e tal objeto (acorrentado) não teriam mais razão de existir.
Beijos meus pra ti !
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